Investimentos de R$ 2,2 milhões aliviam seca no Norte de Minas

27/09/2011 20:48

Jeremias Ruas de Oliveira, produtor rural da comunidade de São Domingos

 

FRANCISCO SÁ (27/09/11) No auge do período mais crítico da seca registrado na região do Grande Norte (Vales do Jequitinhonha e do Mucuri e Norte de Minas), o município de Francisco Sá está recebendo mais de R$ 2,2 milhões de investimentos viabilizados pelo Governo do Estado, para a melhoria da oferta de recursos hídricos nas comunidades rurais. Com população superior a 25,7 mil habitantes, cerca de 46% dos moradores residem na zona rural, tendo como maior fonte de renda e geração de empregos a exploração da pecuária de corte e de leite.

Por meio dos programas Minas Sem Fome e de Combate à Pobreza Rural (PCPR), implementados pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e Norte de Minas (Sedvan), Emater-MG e do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene), o Governo de Minas está concluindo a implantação do maior sistema de abastecimento de água em comunidades rurais do Estado, beneficiando a localidade de São Geraldo, onde moram cerca de 300 famílias. A comunidade sofre com a falta de água potável há mais de 50 anos. Até então, a única fonte de abastecimento das famílias era através de caminhões-pipa.

Há dois anos, em parceria com a Prefeitura, o Governo de Minas iniciou a implantação de um sistema de captação de água no Rio Gorutuba, distante 32 quilômetros da comunidade de São Geraldo. Já foi concluída a construção de quatro tanques, cada um com capacidade para armazenar 100 mil litros de água. A Prefeitura agora precisa instalar hidrômetros em cada uma das residências que passarão a receber água potável encanada. O projeto beneficiará também 34 propriedades rurais.

“O tempo de sofrimento está acabando. Graças a Deus, depois de muitos anos de espera vamos receber água em nossas casas e não precisaremos mais acordar de madrugada para buscar água em baldes” – comemora a dona de casa, Maria Elvira Rodrigues, que mora há 36 anos no local. “Apesar de todas as dificuldades já enfrentadas aqui, foi o lugar que mais gostei de morar. Com a solução do problema de abastecimento de água, não terei mais motivo para pensar em ir embora” – conclui.

Segundo a dona de casa Vilma Rodrigues, nos períodos de seca, a única fonte de abastecimento de água em São Geraldo era através de caminhões-pipa, o que acontecia apenas em intervalos de oito dias. “Como a água não é de boa qualidade, só podemos consumir depois de fazermos tratamento com produtos químicos. Com a chegada de água encanada, com certeza teremos melhor qualidade de vida”.

O comerciante João Gomes de Brito entende que “se não fosse a iniciativa do Governo do Estado em estabelecer parceria com a Prefeitura, arcando com a maior parte dos investimentos na implantação do sistema de captação de água, dificilmente o município teria condições de viabilizar a obra. Francisco Sá é um município muito grande e as demandas são muitas. Uma obra de aproximadamente R$ 2 milhões é um investimento muito elevado para a Prefeitura. Mas, graças a Deus estamos prestes a sair de uma situação de muitas dificuldades. Os moradores da comunidade estão animados, uma vez que vamos começar uma vida nova” - comemora.

Parcerias

O secretário de Obras da Prefeitura de Francisco Sá, José Dias de Freitas, afirma que o apoio do Governo do Estado, através da Emater, na elaboração do projeto de captação de água foi “fundamental para viabilizar a solução do problema de abastecimento da comunidade de São Geraldo”.

Por sua vez, o presidente da Associação Comunitária de São Geraldo, Helder Eduardo Ribeiro observa que a implantação do projeto “concretiza um antigo sonho da população, uma vez que vai resolver, em definitivo, um problema há décadas prometido”.

PCPR leva água a oito comunidades rurais

Além da solução do problema de abastecimento de água na comunidade de São Geraldo, em Francisco Sá, o Governo do Estado também está investindo na implantação de outros oito projetos de melhoria da oferta de recursos hídricos em pequenas comunidades rurais.

Quase R$ 300 mil estão sendo investidos, por meio do Programa de Combate à Pobreza Rural (PCPR) e Minas Sem Fome, na implantação de sistemas de abastecimento simplificado de água em pequenas comunidades rurais, beneficiando 219 famílias que, até então, eram obrigadas a consumirem água captada em rios.

Próximo a nascentes localizadas em regiões de montanhas, estão sendo construídos tanques com capacidade para armazenar 100 mil litros de água potável. A água é canalizada, por gravidade, para pequenas propriedades e residências de comunidades rurais, onde a população utiliza o produto para consumo próprio, manutenção de hortas e criação de pequenos animais.

Para evitar o desperdício de água, o técnico agrícola da Emater de Franccisco Sá, Alderico Coelho Júnior, assinala que em cada residência é instalado um hidrômetro que mede o consumo da família. Além disso, mensalmente, a Prefeitura arrecada R$ 5,00 de cada morador, objetivando compor um fundo que será utilizado quando houver necessidade de manutenção do sistema de abastecimento.

O Governo do Estado já investiu mais de R$ 24 mil na implantação de um sistema simplificado de abastecimento de água na comunidade rural de São Domingos, contemplando 34 famílias. A chegada do benefício dá novo ânimo para os moradores.

O produtor rural, Eduardo David Figueiredo, atesta que através da ação conjunta do Governo do Estado com a Prefeitura, o problema da falta de água na comunidade foi resolvido. “Agora não precisamos mais receber água através de caminhões-pipa. Com água encanada, a vida da população melhorou 100%”.

“Sempre prometeram que um dia o problema da falta de água nas comunidades rurais seria resolvido. Por causa da demora, não esperava que isso um dia acontecesse, mas agora temos água na torneira a qualquer hora do dia”, comemoram Maria Rodrigues e Tolentino Soares Fernandes. O casal se dedica ao plantio de feijão e milho e à criação de frangos em uma área de um alqueire.

O produtor rural, Jeremias Ruas de Oliveira, lembra que os investimentos do Governo do Estado em programas para melhorar a oferta de água na zona rural são fundamentais para manter a população no campo. “Tendo água, temos como continuar morando na roça, produzir e gerar renda. Estamos conseguindo mudar a realidade, embora muito ainda precise ser feito. Mas, já vemos que, através da parceria do Governo do Estado, Prefeitura e comunidades rurais, temos condições de conviver com a seca que é uma característica própria da região”, conclui.

 

Fonte: Agência Minas