Governo distribui menos camisinhas, mas não há falta delas

08/08/2011 18:27

Apesar da redução da gravidez entre jovens, a camisinha anda em baixa. Alegando estar ajustando a oferta à demanda, o Ministério da Saúde cortou, entre 2009 e 2010, 30% das remessas de camisinhas (aquelas gratuitas de posto de saúde), de 465 para 327 milhões.

Jovens engravidam menos e deixam de ter 200 mil bebês ao ano

O Folhateen visitou uma unidade da saúde na periferia e outra no centro da capital. De fato, não viu falta de camisinhas.

No Rio Pequeno (zona oeste), o posto fica ao lado de uma favela. Para pegar camisinhas, é preciso entrar na fila da distribuição de remédios. A espera foi de 20 minutos --fingindo não ter visto a placa de "dê preferência a idosos", que tornaria impossível alcançar o guichê. "Os adolescentes vêm muito em grupo. Ficam tímidos, rindo na fila, aí já ofereço o preservativo", diz a funcionária Olga de Oliveira.

Em Santa Cecília (centro), não há fila: as camisinhas ficam em um tubo na parede. É só pegar. "Não falta. Mesmo no Carnaval", diz a enfermeira Silvana Rosa.

Com menos camisinhas nos postos (sem ninguém reclamar), como se realiza o milagre da redução das grávidas?

"Os adolescentes fazem muito coito interrompido. É péssimo, e com adolescente é pior ainda. Ele está ansioso, não tem controle nenhum", diz o médico Marco Aurélio Galletta.

"Há ainda a pílula do dia seguinte, que eles também estão usando muito. Também é muito ruim. Bagunça todo o ciclo da menina e não é tão eficaz."

 

Fonte:Folha de São Paulo Online