Deputados enfrentam protesto de professores em Coronel Murta

25/09/2011 22:32

Texto e fotos

Sérgio Vasconcelos

 

Professores estaduais de duas escolas de Coronel Murta realizaram protesto durante inauguração da Praça da Ginástica

 

Um grupo de professores de duas escolas estaduais de Coronel Murta , em greve há 110 dias, aproveitou a presença do deputado estadual Alencar da Silveira  Júnior (PDT) e do deputado federal Rodrigo de Castro (PSDB) em Coronel Murta,  para protestar por reajuste no salário da categoria. O protesto  foi pacífico e não houve tumultos. No local haviam pouco mais de 150 pessoas.

Os deputados estavam na cidade para participar de duas inaugurações de obras municipais: A Unidade Básica de Saúde de Freire Cardoso e a Praça de Ginástica, no centro da cidade.

O protesto ocorreu durante inauguração da praça de ginástica.

Antes das inaugurações, um grupo de cinco professores  das duas escolas estaduais da cidade, se encontrou com os parlamentares na fazenda do prefeito Heleno Moutinho. “ Não queremos desistir de sonhar nem de acreditar em vocês. Façam alguma coisa por nós”, disse a professora Laerce Fallete, acompanhada dos professores Sebastião Aelcio, Romário Silva, Clésio Moutinho, Danislane Caíres e Claudilene Silva.

Cerca de 1.200 alunos da rede estadual de ensino de Coronel Murta estão sem aulas. “ È uma falta de responsabilidade. Nossos filhos estão sendo prejudicados com esta greve”, reclamava o funcionário municipal Marcos Gonçalves Santos, 35, que tem três filhos de 13, 14 e 15 anos que estão sem aulas.

“Se não estão contentes, deixem as vagas para quem quer trabalhar”, desabafou Wesley Moreira de Oliveira, coordenador do Projovem de Coronel Murta, argumentando que por culpa dos professores, alunos terão que repor aulas nos finais de semana e feriados

“ Tenho três filhos, um deles é estudante em escola pública que está em greve. Como sou professor de matemática, estou passando trabalhos em casa  para ele. Sei que a maioria dos pais não tem condições de fazer o mesmo. Estou participando do movimento grevista e estou indignado com o governo que não abre espaço para dialogar com a categoria. Os alunos correm o risco de perder o ano letivo. Reconheço que eles ( os alunos) estão sendo prejudicados por esta rixa  entre o sindicato dos professores e governo”, reconhece o professor Sebastião Aelcio.


Estudantes reclamam da greve e torcem pelo fim do movimento para que possam retornar às escolas

 

Indiferente ao protesto e à inauguração,  um grupo de garotos reconhecia os equipamentos instalados na praça de ginástica. Sobre a greve,  eles desabafaram: “ È muito ruim. Ficamos em casa sem fazer nada e esquece de muita coisa. Estamos com medo de perder o ano”, confessou Iago Almeida Coutinho, 15 anos, aluno da Escola Estadual Artur Fernandes. “ Acredito que os deputados são culpados porque não querem aprovar o aumento dos professores”, desabafou Venâncio Pereira Santos, 14 anos, aluno da mesma escola. “ O governo é culpado e esta greve está prejudicando a gente”, disseram os garotos Anderson Rodrigues de Deus, 13, George Santos, 12.

“Estamos preocupados com esta situação. O movimento é mais que justo. Sou neto de professores e estudei em escola pública. Sabemos que os professores são mal remunerados. O governador também é professor. O Sindicato dos Professores sabe que o estado está passando por uma situação difícil e não está falando a verdade para os professores. O governo Anastasia foi o que mais deu aumento aos professores”, afirmou o deputado federal Rodrigo de Castro, secretário geral do PSDB, partido do governador de Minas Antonio Anastasia.