Coronel Murta é a nova “ meca” do turismo ecológico

11/09/2011 22:21

Sérgio Vasconcelos

repórter

 

Todos os domingos a praia de Coronel Murta se transforma em local de verdadeira romaria de turistas de cidades vizinhas. Ao fundo a Pedra do Frade e um flagrante de queimada da vegetação.

 

 

Banhado pelo rio Jequitinhonha e encravado em pleno sertão central do Vale do Jequitinhonha, o município de Coronel Murta, em Minas Gerais,   está se transformando em um importante pólo de turismo ecológico. Todos os fins de semana a cidade é invadida por verdadeiras romarias de turistas de cidades vizinhas, em busca de lazer oferecido pelo que restou de sua praia. A cidade tem pouca estrutura hoteleira o que poderia atrair mais turistas. Porém, suas belezas naturais compensam  o turista.
Além da beleza do rio, sua proximidade com cadeias de montanhas monumentais oferece ao visitante um leque de atrativos pouco explorados e que podem propiciar, a prática de montanhismo,  trekking, cavalgadas, mountain bike e asa delta. Aliás, as cadeias de montes e montanhas garantem a Coronel Murta um lugar de destaque  que poderia ser utilizado em  campeonatos brasileiros de vôo livre, além de outros esportes radicais.
No município se localiza ainda um  importante ecossistema  do semi-árido do Nordeste mineiro. “   Vejo aqui um lugar propício para  trilhas ecológicas. Está na moda”, disse o ex- campeão mineiro de motocross, Flávio Brigolini,  natural de Mariana ,que circulava pela praia da cidade no último domingo, 11 de setembro.
  A caminho  de Coronel Mura, outra  grande  atração é o contato com a exuberante fauna e flora da caatinga. Mesmo em períodos de seca, a paisagem é exuberante. São mais de 200 espécies de animais identificadas, entre pássaros, répteis e mamíferos, algumas em processo de extinção, devido às constantes queimadas , desmatamentos e caça ilegal.
Outros atrativos naturais  de  Coronel Murta são  a Pedra  do Frade e do Elefante, monólitos que lembram  a figura de um frade  deitado e de um elefante. Ambos podem ser  visualizados de qualquer ponto da cidade. O município também é rico em  pedras preciosas e semi-preciosas, artesanato e culinária,  entre eles, a  galinha caipira no molho. No distrito de Freire Cardoso ( Ouro Fino ), a poucos quilômetros do centro da cidade,  existem inscrições rupestres  que até hoje não foram catalogadas por pesquisadores. Ali, o ponto turístico mais importante é o Rochedo, um aglomerado de pedras que ao longo de milhões de anos foi tomando contornos geológicos de extrema beleza.
Na zona rural do município ainda existem velhos casarões de fazendas que relembram tempos coloniais e que hoje sofrem com a ação do tempo.

 

 

Ecoturismo é aqui

 

 O rio Jequitinhonha é propício para esportes radicais como o rafting e canoagem. Jovens aproveitam corredeiras em Coronel Murta para se divertirem.

 

Tendência do turismo mundial, o Ecoturismo – ou Turismo Ecológico - desponta como a melhor alternativa para explorar regiões do Brasil fazendo uso sustentável dos atrativos do meio ambiente. Por definição, o Ecoturismo é a busca de experiências únicas e exclusivas, a partir da prática de turismo de lazer, esportivo ou educacional, utilizando de forma sustentável os patrimônios naturais e culturais, a fim de promover consciência ambiental e bem estar de todos os envolvidos. No Brasil, o Ecoturismo cresce mais do que o turismo comum, porque o interesse por atividades que não degradem tem sido o carro chefe do turismo ecológico.

 

 

Onde fica Coronel Murta

Praça Inácio Murta no centro da cidade.

 

Situada às margens do rio Jequitinhonha e encravada entre montanhas, o município possui pouco mais de 800 km2. Conhecida como a “ Terra do Sol “ é uma cidade pequena, porém, encantadora, de gente festiva e  hospitaleira. A maior parte da cidade é formada por bares e botecos, principalmente na praça Prefeito Inácio Murta, a mais importante do lugar e para onde vai a maioria das pessoas.
O município ficou conhecido devido à sua riqueza mineral, cujas valiosas pedras, como as turmalinas, são comercializadas no mundo inteiro. Hoje a extração mineral está em decadência e uma das saídas para movimentar a combalida economia do lugar seria o ecoturismo.

 

BARRAGEM DE IRAPÉ destruiu as praias

 

 Após a barragem de Irapé a areia da praia foi embora. Em seu lugar surgiram pedras e matagal.

 

A implantação da Usina de Irapé, entre os municípios de Berilo e Grão Mogol,  inaugurada em junho de 2006, apesar dos benefícios, trouxe  também sérios impactos ambientais por toda a extensão do leito do rio Jequitinhonha.
Para o ambientalista Saulo Murta, a praia de Coronel Murta, que no passado foi palco de lazer e turismo não só para os moradores do lugar, mas também para os municípios vizinhos, como Salinas, Araçuaí, Rubelita e Virgem da Lapa, transformou-se hoje em um cenário desolador, tornando o que era área de lazer em matagais e lama, o que vem afetando o turismo ecológico.
Em outubro de 2010 ele postou um vídeo no Youtube mostrando o antes e o depois de Irapé. O vídeo já ultrapassou a casa dos 3  mil acessos.
Diante de denúncias da imprensa e pressão popular, o promotor público Marcos Paulo de Sousa Miranda está interpelando a Cemig, operadora da Usina de Irapé, valendo-se de preceitos constitucionais que determinam ser de competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, legislar sobre a proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico, além da responsabilidade por dano ao meio ambiente. “ Existe uma intensa insatisfação popular com o fim das praias do Jequitinhonha”, disse o promotor. A CEMIG ainda não se pronunciou sobre o fato.
“ Queremos um estudo científico detalhado sobre os efeitos negativos em todo o ecossitema, como o nível inconstante das águas, bem como a  reposição da areia no leito do rio, melhorias para compensar todo esse prejuízo ecológico, entre outros”, protesta Saulo Murta. “ O que era nosso cartão postal, virou matagal”, desabafa o comerciante  Júnior Martins, de Coronel Murta. “ Queremos melhorias. A Cemig tem muito dinheiro. Isto aqui é coisa pequena para eles, mas para nós, é tudo que temos de bonito”, argumenta  Rafael Fonseca Torres, coordenador de Esportes do município. “ Poderiam construir uma passarela, instalar banheiros na orla, enfim, fazer melhorias para todos”, arremata Júnior Martins.
Para Cleonice de Jesus, 40 anos, residente em Salinas, o ideal é a parceria da Cemig, município e Estado para promover as melhorias. Ela organiza todos os domingos romarias de pessoas da cidade vizinha para Coronel Murta. “ Viemos para cá porque infelizmente acabaram com o rio Salinas. Hoje é só esgoto. Não queremos que aconteça o mesmo com o rio Jequitinhonha. Isso aqui era a coisa mais linda do mundo.Agora está assim,” disse a dona de casa, mostrando os estragos provocados pela Barragem. “ Frequento a praia há mais de 5 anos e trago comigo um ônibus. São mais de 50 pessoas. Fico triste em ver o que está acontecendo aqui., porque conheci a praia antes da barragem. Alguém precisa fazer alguma coisa”, disse  Jorge Luiz da Cruz, o Jorjão do Gás, residente em Salinas.

No local frequentado pelos turistas existe apenas um bar que  oferece pouca estrutura para receber turistas. " Vamos fazer melhorias", garante a proprietária.

 

 Na praia em Coronel Murta existe apenas um bar que lota nos fins de semana.