Concorrência desleal no Enem

22/09/2011 21:44

Enquanto isso, jovens da rede particular encaram maratona de estudo

 

Reforço. A estudante Izabela Carvalho se mudou para uma escola particular após dois meses sem aula

 

A exatamente um mês do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será realizado nos dias 22 e 23 de outubro, alunos das escolas públicas estaduais afetadas pela greve dos professores não se sentem preparados e tentam recuperar os 65 dias letivos perdidos. Enquanto isso, estudantes de instituições particulares estão a todo vapor, com aulas de reforço e simulados desde o início do ano.

Segundo balanço divulgado ontem pela Secretaria de Estado de Educação (SEE), 11 escolas estão totalmente sem aulas e 662 parcialmente paralisadas. A unidade onde Izabela Cristina Carvalho, 18, estudava desde os 5 anos, a Helena Guerra, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, entrou em greve no dia 8 de junho.

Em agosto, após dois meses sem aula, Izabela resolveu mudar para uma instituição particular, a Copec, onde paga mensalidade de R$ 268. "Estou estudando bastante, mas acho difícil recuperar o conteúdo perdido. Quem vem se preparando desde o início do ano vai estar bem à frente", diz a jovem, que também se matriculou num curso preparatório.

Com os prejuízos da greve, uma das medidas adotadas pelo governo foi a contratação de professores substitutos. No colégio Estadual Central, na capital, as turmas do 3º ano noturno retomaram às atividades com os temporários, mas os alunos da manhã continuam sem aula. "Estou estudando em casa. Mesmo que o turno da manhã voltasse agora, não seria a mesma coisa, pois os substitutos não estão preparados e não conhecem a turma", afirmou a estudante Júlia Raffo, 16.

Nas escolas particulares, estudantes como Letícia Santos, 17, contam com aulas de reforço aos sábados, simulados semanais, monitorias e plantões para tirar dúvidas. Ela estuda no colégio Bernoulli - 4º lugar no ranking nacional do Enem. Sua única preocupação é passar no curso de medicina. "Em três dias da semana, fico o dia inteiro na escola", afirma.

O diretor pedagógico do colégio Santo Antônio, Jacir Farias, acredita que ter um quadro de professores capacitados e valorizados é essencial na preparação dos alunos. O Santo Antônio ficou em 5º lugar na avaliação do Enem.

 

 

Balanço

 

Cai número de escolas em greve

 

Segundo balanço divulgado ontem pelo governo do Estado, o número de escolas totalmente paradas caiu de 22 para 11 e o de parcialmente afetadas reduziu de 706 para 662. São 3.779 escolas estaduais em Minas.

Ainda segundo o balanço, mais de 800 professores voltaram às salas de aula ontem. Até então, 10.240 trabalhadores estavam paralisados, o que corresponde a 6.5% do total.

O sindicato da categoria contesta as informações. Segundo o Sind-UTE, a adesão ao movimento se mantém em 50%. "Não vou ficar nessa guerra de números com o Estado. Eles querem enfraquecer a nossa greve, mas não é a realidade", disse a coordenadora da entidade, Beatriz Cerqueira.

Ontem, a Secretaria de Educação convocou os designados que aderiram à greve a retornarem ao trabalho, sob ameaça de demissão. O sindicato irá acionar o Supremo Tribunal Federal para garantir o direito ao movimento. A Justiça mineira considerou a greve ilegal. (JS)

 

Assembleia

 

Categoria pede apoio de deputados na negociação

 

Após passarem a noite acampados em frente à Assembleia Legislativa, professores se reuniram ontem com o presidente da Casa, deputado Dinis Pinheiro (PSDB), e outros 11 parlamentares.
Representantes do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) pediram aos deputados para intermediarem a negociação da categoria com o governo. Há 107 dias de braços cruzados, os professores reivindicam o cumprimento do piso nacional com a aplicação do plano de carreira. Segundo o diretor de comunicação do Sind-UTE, Paulo Fonseca, Pinheiro se comprometeu a fazer as negociações avançarem.

Na manhã de ontem, manifestantes tentaram impedir a entrada dos deputados no estacionamento da Casa. Por causa dos protestos, as sessões plenárias foram suspensas. (JS)

 

Fonte: O Tempo